terça-feira, 8 de maio de 2018

Tudo sobre Pilates no Tratamento da Cervicalgia

Tudo sobre Pilates no Tratamento da Cervicalgia






Quem nunca ouviu seu aluno referir dor cervical? Você sabia que no Brasil a cervicalgia atinge cerca de 18% da população geral, e a estimativa é que 55% da população possa sentir os sintomas no decorrer da sua vida?
Atualmente a cervicalgia é muito presente devido a má postura adquirida durante o trabalho, ao dormir, ao dirigir, fatores emocionais e atividades do dia a dia como o uso incorreto do celular.
Podemos verificar através do uso do celular, que muitas pessoas ao utilizar o aparelho adquirem uma postura inadequada levando a cabeça para frente e inclinando para baixo em direção ao aparelho.
O que muitos não sabem é que a cabeça de um adulto pesa em torno de 5 a 8 Kg e ao curvar a cabeça para frente por longos períodos podem ocorrer danos irreversíveis na coluna cervical como atrofias, desgastes e rupturas gerando uma má qualidade de vida.
De acordo com um estudo realizado pelo americano Dr. Kenneth Hansaraj, conforme o grau de inclinação de 0º-60º, o peso da cabeça pode variar, gerando uma pressão sobre a coluna que pode chegar aos 27,2 kg, ocasionando a dor no pescoço, chamada cervicalgia.
Diante deste fato rotineiro é muito comum ter pacientes referindo este desconforto em seu estúdio. Por este motivo fizemos um texto completo para pleno conhecimento sobre como o Método Pilates pode ajudar no tratamento da cervicalgia.

O que é a Cervicalgia?





O termo cervicalgia é empregado para as dores que acometem a região cervical da coluna, caracterizada por rigidez muscular e dores na região posterior do pescoço. Pode ocorrer desde pequenos desconfortos ou até dores intensas e incapacitantes.
Os pacientes podem apresentar dor apenas na face posterior do pescoço, como também irradiar para ombros, acometendo os músculos trapézio, supraespinhoso, romboide e escaleno. Em alguns casos pode ser referida na face inferior da mandíbula levando a dor de dente e cefaleia.
Os músculos do pescoço são responsáveis pelo suporte de peso e mobilidade da cabeça, porém quando tensionado devido algum tipo de sobrecarga, ocorre a diminuição do fluxo sanguíneo local, ocasionando dor e incômodo.
Estes sintomas acometem 30% dos homens e 43 % das mulheres e se torna mais prevalente com o avanço da idade, ocorrendo em 40-50% da população com idade superior a 45 anos.
Este diagnóstico pode gerar um grande problema de saúde pública, pois em muitos casos a dependência de medicamentos, depressão, isolamento social, dificuldades no trabalho e alterações emocionais, provocam uma mudança dramática no estilo de vida deste paciente, ocasionando uma má qualidade de vida.

Anatomia da Coluna Cervical





A coluna cervical é formada por 7 vértebras e possuem características próprias. A 1º é chamada Atlas (C1) e a 2° Áxis (C2) e elas se diferem de todas as outras vértebras, pois são nelas que ocorrem o maior movimento de rotação.
Você sabe por que a C1 foi nomeada de atlas? Não?
Atlas foi um deus grego que suportou o peso do mundo em seus ombros.
A vértebra C1 é responsável pelo suporte de peso da sua cabeça. Possui a forma de anel, um grosso arco anterior e um fino arco posterior com duas massas proeminentes, não possui corpo vertebral e se articula com a base do crânio através da articulação atlantoccipital, sendo responsável por grande parte do movimento sagital da coluna cervical.
Já a vértebra C2 se encontra abaixo do atlas e possui uma proeminência que surge através do seu corpo vertebral, chamada processo odontoide, no qual se projeta entre o forame do atlas.
Este mecanismo forma um pivô sobre o qual a articulação atlantoaxial consegue efetuar movimentosde rotação do crânio. Entre essas duas vértebras não existem disco intervertebral e sim ligamentos que permitem a rotação entre os dois ossos.
As demais vértebras cervicais, de C3 a C7, possuem um formato homogêneo, um corpo vertebral anterior e um arco neural posterior no que se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, através do qual passa a artéria vertebral.
Os processos espinhosos mais proeminentes que podem ser palpáveis são c2 e c7.
As lesões ocorrem com maior frequência nas últimas vértebras C5, C6 e C7, pois suportam maior carga favorecendo assim maior atrito e maior desgaste entre elas.
Os músculos responsáveis pela estabilização da coluna cervical é o músculo esternocleidomastoideo, escalenos (anterior/ médio e posterior), flexor longo da cabeça, reto anterior da cabeça, e reto lateral da cabeça.
Os movimentos fisiológicos da coluna cervical são:
  1. Flexão e Extensão no Plano Sagital
  2. Flexão ou Inclinação Lateral no Plano Frontal
  3. Rotação no Plano Transversal

Quais as principais causas da Cervicalgia?





A cervicalgia resulta de anomalias nos tecidos moles como músculos, ligamentos e nervos ou nas estruturas ósseas da coluna cervical. As causas mais comuns são fatores posturais, ergonômicos ou traumas mecânicos.
Muitos trabalhadores estão sob o estresse do dia a dia, horas em frente ao computador e sem pausas no trabalho, pois não possuem a ginastica laboral em sua empresa.
Muitas vezes os mesmos utilizam mobiliários não ergométricos, que levam a sobrecarga dos músculos do pescoço, como consequência a cervicalgia crônica.
Além disso, outros fatores podem levar o paciente à vir apresentar este desconforto, entre eles:
  • Acidente de Trânsito ou Queda – pode ser resultado do estiramento dos ligamentos e músculos
  • Degeneração do Disco
  • Hérnia de Disco Cervical
  • Disfunções da Articulação Têmporo-Mandibular (ATM)
  • Estresse Emocional
  • Tumor
  • Infecções
  • Inflamações
  • Trauma ou Compressão Contínua
  • Intermitente da Raiz Nervosa
A climatização também é um fator agravante, pois em ambientes de trabalho com temperatura mais baixa o organismo tende a acelerar o aparecimento de lesões. Devido à vasoconstrição periférica os tecidos e músculos são poucos irrigados levando a um estado de dor e tensão.

Como diagnosticar a Cervicalgia?





O diagnóstico da cervicalgia é realizado através de uma anamnese detalhada em uma consulta médica. Após, é definido a necessidade de exames complementares, exames laboratoriais e exames de imagem (RX, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética) estudos eletrofisiológicos e termométricos.
Na consulta médica o examinador pode realizar alguns testes para confirmar a cervicalgia:

Teste de Tração

  • Posicionar o paciente sentado, o examinador deve colocar uma mão aberta sobre o queixo do paciente e a outra mão na região occipital.
  • Realizar uma tração progressiva da cabeça e manter por 40 segundos.
  • Caso o paciente relate um alívio da dor ou diminuição dos sintomas do membro afetado o teste é positivo para cervicalgia, pois durante o teste diminui a compressão das raízes nervosas e tensão das estruturas acometidas.

Teste de Compressão

  • Com o paciente sentado confortavelmente, o examinador deve apoiar as palmas das mãos na região superior da cabeça do paciente.
  • Exercer uma força para baixo pressionando levemente cabeça e pescoço, caso o paciente relate durante a compressão a irradiação do membro superior ou dor no membro afetado o teste é positivo para compressão da raiz nervosa cervical.

Teste de Valsalva

  • Paciente na posição sentada peça para ele realizar uma manobra de valsava segurando a respiração e fazendo força para ativar o intestino.
  • Caso aumentar a pressão intratectal e piorar a dor, este teste é positivo no diagnostico de lesões expansivas como hérnia de disco cervical e osteófitos no canal vertebral cervical.

Manobra de Spurling

  • Com o paciente de preferência sentado, o examinador deve se posicionar às costas do paciente. Apoiar as palmas das mãos na região superior da cabeça do paciente.
  • Solicite que ele realize uma flexão lateral da cabeça para os dois lados, em seguida aplicar uma força para baixo, o teste é positivo se o paciente relatar piora da dor, pois indica que houve compressão sobre a raiz nervosa.
  • Neste contexto verificamos a importância do diagnostico para seguir com o tratamento adequado.

Quais tipos de Tratamento para a Cervicalgia?

Como sabemos o Método Pilates é super indicado tanto para o quadro agudo como o crônico de cervicalgia, tendo como objetivo promover o relaxamento muscular, correção postural, diminuição e combate a dor.
Porém existe outras medidas para terapia conjunta.
O tratamento pode ser facilmente controlado mediante os recursos como o tratamento farmacológico (analgésicos, opióides, antiinflamatórios e relaxantes musculares), fisioterapia convencional, uso de termoterapia, crioterapia, eletroterapia (TENS, ondas curtas, infravermelho, ultra-som) e acupuntura.
Em traumas mecânicos onde a lesão ocorre com maior intensidade é necessário o uso do colar cervical para manter o pescoço na posição neutra, diminuindo a mobilidade, tensão muscular e a sobrecarga articular, evitando a exacerbação dos sintomas.
Em casos mais graves de cervicalgia é indicada cirurgia caso o paciente apresente evidência de compressão da medula ou tumor.

Pilates para Cervicalgia – Como auxiliar no Tratamento?




Os princípios do Método Pilates são grandes aliados para o alívio das dores da cervicalgia.
Pois além de auxiliar na mobilidade da coluna cervical e minimizar os sintomas ocasionados pela má postura, ele visa melhorar a prática dos movimentos associados com a respiração, ajudando na prevenção e evitando recidivas de algias.
A respiração associada com a ativação do Power House promove a tonificação dos músculos necessários para dar suporte adequado à coluna a fim de restabelecer o alinhamento do corpo como um todo, garantindo flexibilidade da coluna vertebral, consciência corporal e consequentemente a correção postural.
Quem nunca viu seu paciente realizar exercícios projetando o queixo pra frente?
Provavelmente esse paciente deve estar com dificuldade para ativar o core, por isso devemos orientá-lo já nas aulas inicias o movimento correto, pois devido à dor essa musculatura pode estar inibida.
Quando realizamos exercícios focados no movimento e no alongamento dos músculos afetados, ocorre melhora da função nervosa e vascular do pescoço, e consequentemente a diminuição do desconforto e rapidez na recuperação.
Nas aulas iniciais devemos trabalhar exercícios que promovam o relaxamento e alongamento dos músculos do pescoço, garantindo que o paciente ganhe consciência corporal a fim de reeducar os movimentos da cervical, cabeça e cintura escapular.
Ao realizarmos movimentos no solo, podemos trabalhar a estabilização e a consciência destes músculos afetados, de maneira a fazer com que os sintomas causados pela cervicalgia diminuam ao longo das semanas.
Quando realizamos exercícios nos aparelhos, da mesma maneira vamos ter como foco a diminuição sintomática e controle muscular. O Método Pilates irá auxiliar a conhecer os limites perante o desconforto e também atuar diretamente na reabilitação.
Durante a realização dos exercícios podemos acrescentar alguns acessórios que irão complementar na prática: a Bola Murcha, a Overball, o Rolo no Occipital e o Magic Circle.
Tanto os aparelhos como os acessórios de Pilates são fundamentais para seu estúdio, e sem eles é praticamente impossível desenvolver um tratamento adequado com os pacientes.
Para a prevenção de cervicalgia, o Método Pilates se mostra ainda mais eficaz. Afinal, uma boa postura e alongamento muscular do corpo como um todo, promove a tonificação muscular da região cervical e abdominal.
Ou seja, quer prevenção melhor que essa?!

Concluindo…





O Método Pilates é benéfico para o corpo e mente, fazendo com que haja melhora na consciência corporal, diminuição das dores na cervical e relaxamento muscular.
Além da respiração durante os exercícios a ativação do core é necessária para estabilização do tronco, que fortalece a coluna, previne lesões e melhora a qualidade de vida.
Durante as sessões de Pilates seu estúdio deve ter profissionais qualificados que fará com que a reabilitação seja ainda mais positiva e ideal para este paciente. Espero que os exercícios acima ajudem você instrutor à complementar na prática do dia a dia.
Lembre-se: “Um corpo livre de tensão nervosa e fadiga é o abrigo ideal fornecido pela natureza para abrigar uma mente bem equilibrada, totalmente capaz de atender com sucesso todos os problemas da vida moderna.” 









segunda-feira, 7 de maio de 2018

Intervenção do Método Pilates na Reeducação Postural

Intervenção do Método Pilates na Reeducação Postural




O Método Pilates, criado por Joseph Hubertus Pilates, tem ênfase na restauração da boa postura ou melhor, na reeducação postural, alinhamento vertical do corpo, correção dos desequilíbrios musculares, melhorando assim a flexibilidade de forma global e fortalecendo os músculos posturais.
Tudo isso ressaltando a importância do controle do centro de força chamado de “Powerhouse”, expressão que denomina a circunferência do tronco inferior, estrutura que suporta e sustenta o nosso tronco.
Baseando-se em princípios da cultura oriental como yoga, artes marciais e meditação, o Pilates configura-se pela tentativa do controle dos músculos envolvidos nos movimentos da forma mais consciente e fluída possível.
Os exercícios que compõem o método envolvem contrações isotônicas, (concêntricas e excêntricas) e, principalmente, isométricas, com ênfase no que Joseph denominou Powerhouse, ou seja, o centro de força do nosso corpo.

Tipos de Contrações Musculares

De acordo com Lippert (2008), a contração isométrica ocorre quando um músculo se contrai e produz força sem haver qualquer tipo de variação em seu comprimento total.
Sendo assim, o tamanho da força gerada não é suficiente para vencer a resistência imposta, tornando-se uma força estática e não havendo alteração no ângulo da articulação em questão.
Já a contração isotônica, ocorre quando as fibras musculares se encurtam ou alongam enquanto aplicam uma força constante correspondente a uma carga ou resistência imposta. Essa força acarreta em uma alteração no comprimento do músculo específico, gerando assim, um movimento na articulação em questão.
Por fim, a contração isocinética, que ocorre em uma velocidade constante, permitindo mensurar a força imposta pelo músculo em toda a amplitude articular do movimento (TERRERI ,et al. 2001) e que pode ser visualizada a partir da utilização do aparelho denominado de “dinamômetro isocinético”.

É pertinente ressaltar que existem dois tipos de Contrações Isotônicas

  • Concêntrica – também chamada de fase positiva
São os tipos mais comuns de contrações musculares e ocorrem com frequência em atividades diárias e nas atividades físicas. A força produzida é maior que a resistência oferecida, ou seja, o músculos torna-se capaz de se encurtar ao realizar o movimento de contração.
Tomando como exemplo o exercício de flexo-extensão de cotovelo partindo da posição inicial com o braço em extensão.
  • Excêntrica – também chamada de fase negativa
Esse tipo de contração coloca muita pressão no músculo e é comumente envolvida em lesões musculares, principalmente em atletas de alta intensidade. A tensão gerada, por ser inferior, é superada pela carga imposta ao músculo em questão, ocorrendo assim, o alongamento do mesmo. ocorre quando um músculo se contrai e produz força sem haver qualquer tipo de variação em seu comprimento total.

Introdução de Hábitos Saudáveis




Através do crescente interesse por uma melhor qualidade de vida e longevidade, várias pessoas têm buscado hábitos de vida mais saudáveis, resultando assim, na prática de diversos tipos de atividades físicas escolhidas a partir das necessidades específicas de cada indivíduo.
Um dos pontos mais ressaltados durante sua escolha seria a sensação de bem estar físico e mental, que vai muito além do âmbito estético.
A postura tornou-se uma preocupação constante em nossas vidas, uma vez que seu descuido pode resultar em dores na coluna (cervical, torácica e lombar), desvios posturais (retificação, hiperlordose, hipercifose e escoliose), hérnia de disco, espondilose, espondilolistese, artrose, lesões por esforço, entre outros). O Pilates pode ajudar com a reeducação postural.

Retificação

Classificada como a ausência ou diminuição das curvaturas fisiológicas, podendo acontecer em qualquer divisão da coluna vertebral.

Hiperlordose

Denominada como uma curvatura excessiva da parte inferior da coluna e é, muitas vezes, associada à escoliose ou cifose, podendo ser gerada por má postura.

Hipercifose

Considerada como a excessiva curvatura da coluna vertebral no (A-P) plano sagital.

Escoliose

É a curvatura anormal da coluna vertebral no plano coronal (lateral). É importante estar atento aos graus e ao comprometimento causado pela mesma.
  • 10° – considerada normal e não é necessário tratamento (no meu caso, indico).
  • 20° – escoliose leve, sendo o tratamento conversador.
  • 20 a 40° – escoliose moderada, onde o tratamento é conservador e pode ser associado ao uso de colete ortopédico.
  • 40 a 50° – escoliose grave onde o tratamento é realizado inicialmente com cirurgia e posteriormente, com a adesão do tratamento fisioterapêutico (fisioterapia convencional, RPG ou Pilates).




É por isso que, antes de iniciar a prática do método Pilates (ou qualquer outro tipo de atividade física) é de grande importância que se tenha realizado uma avaliação física que verifique os problemas posturais, denominada de avaliação postural.
Entretanto, nem todos os tipos de avaliações podem ser precisos o suficiente, uma vez que o avaliador não consegue quantificar as alterações posturais existentes no indivíduo em questão. O que torna este tipo de avaliação totalmente subjetiva, dependendo assim, apenas da experiência e do bom olhar do observador, ou seja, um indivíduo pode apresentar diagnósticos diferentes entre os avaliadores.
Por este motivo específico, utilizo a avaliação por biofotogrametria em meu estúdio de Pilates, localizado na cidade de Patos, na Paraíba.
O aluno é avaliado ao fazer a adesão ao método (primeiro dia de aula) e, posteriormente, a cada mês para que possamos quantificar os ganhos obtidos e restabelecer novas metas de forma objetiva e racional. Sendo assim, um desvio postural que é identificado por um avaliador será identificado da mesma forma por outro avaliador.
Alguns dos objetivos desta avaliação são detectar possíveis desvios e alterações posturais que podem ocorrer por vários fatores, muitos dos quais facilmente reversíveis e, claro, evitar lesões, através da programação de aulas específicas para cada paciente, de acordo com suas necessidades e de forma individualizada e consciente.

Mas como a avaliação por biofotogrametria é realizada?

O principal ponto da avaliação é realizar a identificação de áreas específicas através de anatomia palpatória e marcação de determinados pontos corporais (processos ósseos) com esferas de demarcação (bolinhas de isopor pregadas com fita, por exemplo).
Após a dermação, o avaliador captura fotos do indivíduo nas vistas anterior, lateral e posterior. Após a aquisição das fotografias, essas são transferidas para o computador.
Estas esferas de demarcação quando unidas por um seguimentos de reta dentro de um software, darão ao avaliador o grau de alinhamento, nivelamento ou assimetria de determinada região corporal do avaliado através de ângulos obtidos, trazendo assim, através de uma análise quantitativa, resultados fidedignos para nosso plano de tratamento.
Tal avaliação deve ser feita para percebermos os desequilíbrios musculares e fazer com que consigamos prescrever corretamente os exercícios, e trabalhar na reeducação postural do nosso aluno.

Qual a Importância de ter uma boa postura?






Uma boa postura é capaz de prevenir movimentos compensatórios, realizar a distribuição de forma adequada das cargas em nosso corpo e realizar a conservação de energia por meio da precisão dos movimentos, como é dito por Joseph durante a introdução dos príncipios do método.
Sendo assim, é válido ressaltar que, o perfeito alinhamento de determinadas partes do corpo é capaz de fornecer o equilíbrio de um segmento sobre o outro, um estado que pode ser mantido com o mínimo de esforço muscular.
A boa postura é um dos requisitos que merece destaque quando o assunto é a prevenção de patologias, a manutenção ou a recuperação da saúde e do bem-estar corporal do nosso paciente. Má postura significa a relação imperfeita entre várias partes do corpo, concorda?
Tendo isto em mente, as posturas inadequadas impõem esforços adicionais e, muitas vezes, desequilibrados.
A disfunção postural pode ser causada pela adoção de maus hábitos posturais, como no posicionamento prolongado associado à ocupação ou ambiente de trabalho no qual estamos inseridos, fazendo-se necessária a inclusão de uma avaliação ergonômica do trabalho.
Realizada por um fisioterapeuta, tem o objetivo de avaliar, de maneira quantitativa e qualitativa, todos os riscos ergonômicos que existem no ambiente, nas atividades desempenhadas pelos funcionários da empresa e, também, nos próprios equipamentos de trabalho.
O profissional irá verificar se a empresa está colocando a integridade física do trabalhador em risco a partir de atividades como levantamento e transporte de mercadorias, por exemplo, ou analisar a sobrecerga nos membros de forma individualizada.
Posteriormente, o mesmo irá propor soluções para consertar os erros que estão influenciando o bem-estar dos trabalhadores.
É importante salientar que, anormalidades posturais estão associadas a um grande número de doenças existentes, incluindo sintomas de dor localizadas ou, até mesmo, generalizadas, desordens musculoesqueléticas, disfunções respiratórias e são influenciadas por uma série de condicionantes como:
  1. Aspectos Mecânicos
  2. Emocionais
  3. Hereditariedade
  4. Raça
  5. Flexibilidade
  6. Força Muscular
  7. Visão
  8. Hábitos
Qualquer desarranjo de um segmento do corpo irá conduzir a uma reorganização de outros segmentos.
O desvio de uma unidade articular pode conduzir a uma compensação em outras articulações e, consequentemente, a uma alteração de todo o esquema postural. Por isso a importância da obtenção de uma boa postura e da inclusão do Pilates no trabalho de reeducação postural de forma individualizada.
Os comprometimentos mais comuns associados às disfunções posturais são:
  • Dor por sobrecarga biomecânica;
  • Comprometimento da mobilidade devido à restrição dos músculos, articulações ou fáscias (devemos dar sua devida importância, visto que esta é considerada uma forte aliada no tratamento fisioterapêutico);
  • Comprometimento muscular associado à fraqueza, devido a más posturas sustentadas;
  • Controle postural insuficiente pelos músculos estabilizadores;
  • Senso cinestésicos de postura alterado associado a maus hábitos posturais prolongados;
  • Falta do conhecimento do controle, consciência corporal e da biomecânica vertebral saudável.








quinta-feira, 3 de maio de 2018

Como aplicar o Pilates na Dor Lombar?

Como aplicar o Pilates na Dor Lombar?






O que é Dor Lombar ou Lombalgia?
Dor Lombar trata-se de uma disfunção musculoesquelética muito comum na atualidade e está frequentemente associada a fatores individuais, como:
  • Fraqueza dos Músculos  Abdominais e Espinhais
  • Má Postura
  • Esforços Repetitivos
  • Excesso de Peso
  • Inflamações/Infecções
  • Hérnias de Disco
  • Artrose ou Escorregamento de Vértebra
  • Falta de Condicionamento Físico
  • Sedentarismo
  • Fatores Ocupacionais
Pode gerar alterações na flexibilidade corporal, redução da amplitude de movimento e fadiga de paravertebrais. Representa alto índice de absenteísmo trabalhista, além de alta redução do desempenho nas funções (SCHOSSLER, et al., 2009; FARIA, 2013).
No Brasil, as dores na coluna lombar tem se tornado relevante em razão de afetar uma parcela da população que é economicamente ativa. Na população mundial adulta de 70% a 80% tem ou terão lombalgia.
As maiores causas da dor lombar são desconhecidas, mas são denominadas de lombalgia mecânica, postural ou inespecífica. A maioria das lombalgias é do tipo aguda, ou curto prazo, e dura alguns dias a algumas semanas.




Nesse caso, os episódios dolorosos se resolvem com menos de 2 semanas, sem perda de funcionalidade. A dor lombar subaguda é definida como dor que dura entre 4 e 12 semanas.
Já a dor lombar crônica é definida como dor que persiste por 12 semanas ou mais, mesmo depois de ter sido tratada a lesão inicial ou a causa da dor lombar aguda.
A lombalgia crônica  muitas vezes tem início desconhecido, que passa por períodos de melhora e piora. Quando se torna crônica, existe a hipotrofia muscular, associada à fraqueza ou lesão dos tecidos moles da região, tendo associados nesses casos modificações estruturais e histomorfológicos de paravertebrais.
As estruturas passivas da coluna vertebral dependem do papel protetor que os músculos devem desempenhar.
Assim, a diminuição do tônus decorrente do desuso, manutenção prolongada de determinadas posições e a fadiga por gestos repetitivos, acabam por fazer uma transferência excessiva de carga a essas estruturas provocando dor.

Como prevenir?

A prevenção primária para as dores da coluna lombar envolvem:
  • Evitar carregar peso por muito tempo;
  • Agachar flexionando os joelhos;
  • Evitar sobrecargas no trabalho;
  • Realizar exercícios.
No entanto, a grande maioria da população não realiza tratamento preventivo, ficando a cargo da reabilitação tratar o problema instalado e realizar a conscientização dos fatores de riscos e as mudanças de hábito a fim de evitar novos episódios de crises lombares (STORCH, et al., 2015).
Importante salientar que exercitar-se uma hora por dia e permanecer em postura incorreta no restante dele as chances de melhora funcional e diminuição da dor são muito pequenas.

Benefícios da Prática do Pilates





Segundo Joseph Pilates, os benefícios do método Pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios. Desse modo oferece ao praticante desde aumento da resistência à fadiga ao alinhamento corporal (COMUNELLO, 2011).
Trata-se de um método terapêutico onde os exercícios apresentam uma combinação de atividades de força e flexibilidade com o objetivo de manutenção e desenvolvimento do equilíbrio muscular, promovendo a estabilização da região lombar.
Os exercícios de fortalecimento são praticados com poucas repetições, os quais são realizados com muita concentração e atenção.
O método Pilates também propõe que para conseguirmos reduzir as dores lombares os músculos abdominais devem estar fortalecidos. Sendo assim, eles serão capazes de manter a coluna adequadamente alinhada, suportando e distribuindo o estresse colocado sobre ela.
A boa flexibilidade na coluna lombar e na musculatura isquiotibial está associada à menor incidência de dores lombares crônicas, uma vez que as restrições provocadas por estes encurtamentos podem resultar em lesões musculoesqueléticas vindo a refletir nas atividades de vida diária.
Outro forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar são os desequilíbrios entre os músculos extensores e flexores do tronco, pois geram uma incapacidade de estabilização. 
Camarão, T., 2004 nos traz em seu livro: Pilates no Brasil – Corpo e Movimento, benefícios proporcionados pelo Pilates e itens importantes a serem considerados durante a execução dos exercícios, abaixo listo alguns deles.


Benefícios da Prática

  • Aumento da Força
  • Maior Controle Muscular
  • Maior Flexibilidade
  • Harmonização dos Movimentos
  • Alonga, Tonifica e Define a Musculatura
  • Corrige a Postura
  • Proporciona Maior Consciência Corporal
  • Alivia Dores Musculares

Durante a Execução dos Exercícios

  • Respeite os limites do seu corpo;
  • Pare imediatamente ao sentir dor;
  • Pense na qualidade do movimento e não na quantidade;
  • Execute movimentos com precisão buscando a perfeição;
  • Faça os exercícios lentamente e com controle para ganhar força e resistência muscular;
  • Concentre-se nos movimentos que está executando;
  • Respire a cada movimento;
  • Mantenha sempre seu abdômen contraído;
  • Atente-se a postura;
  • Mude de nível somente quando executar os exercícios do nível em que está com facilidade.

Compartilhando Experiência

Durante as aulas de Pilates tenho por hábito relembrar os alunos dos princípios do método e friso sempre: “Sentiu dor me avise, não faça nenhum exercício sentindo dor”.
Realizo as adequações, diminuindo o nível do exercício e se mesmo assim a dor persistir mudo o exercício que está sendo realizado.
Levando em consideração que ele não pode acarretar dor ao meu aluno, ele está lá para melhorar seu quadro de dor e não piorar.

Sugestões de Exercícios para Dor Lombar no MAT




1) Pelvic Curl

Músculos Primários
  • Flexores da Coluna Vertebral
    • Reto do Abdome
    • Oblíquo Externo do Abdome
    • Oblíquo Interno do Abdome
  • Estabilizador Anterior da Coluna Vertebral
    • Transverso do Abdome
  • Músculos do Assoalho Pélvico
  • Extensores do Quadril
    • Glúteo Máximo
    • Isquiotibiais
Músculos Secundários
  • Extensores da Coluna Vertebral
    • Eretores da Espinha
Execução
  1. Deite-se em decúbito dorsal com os joelhos flexionados e os pés apoiados no MAT e afastados na largura do quadril.
  2. Coloque os braços nas laterais com a palma das mãos voltadas para baixo.
  3. Tracione a parede abdominal para dentro e, lentamente, eleve a pelve, retirando-a do MAT.
  4. Levante a parte superior do tronco ligeiramente para formar uma linha reta na lateral do corpo que atravessa o ombro, a pelve e o joelho.
  5. Baixe lentamente o tronco, articulando cada vértebra para voltar à posição inicial.

2) Chest Lift 

Músculos Primários
  • Flexores da Coluna Vertebral
    • Reto do Abdome
    • Oblíquo Externo do Abdome
    • Oblíquo Interno do Abdome
Músculos Secundários
  • Estabilizador Anterior da Coluna Vertebral
    • Transverso do Abdome
Execução
  1. Deite-se em decúbito dorsal com os joelhos flexionados e os pés apoiados no MAT e afastados na largura do quadril.
  2. Entrelace os dedos atrás da cabeça e flexione os cotovelos de modo que eles apontem para os lados.
  3. Incline o queixo ligeiramente em direção ao tórax.
  4. Enrole lentamente a cabeça e a parte superior do tronco, elevando-os, de modo que as escápulas sejam levantadas do MAT.
  5. Puxe mais a parede abdominal, aprofundando a posição curvada para a frente do tronco.
  6. Pause o movimento.
  7. Baixe lentamente o tronco e a cabeça de volta à posição inicial.



3) Back Extension Prone

Músculos Primários
  • Extensores da Coluna Vertebral
    • Eretores da Espinha
    • Semiespinhal
    • Grupo Posterior Profundo da Coluna Vertebral
Músculos Secundários
  • Estabilizadores da Parte Anterior da Coluna Vertebral
    • Transverso do Abdome
    • Oblíquo Interno do Abdome
    • Oblíquo Externo do Abdome
    • Reto do Abdome
  • Extensores do Quadril
    • Glúteo Máximo e Isquiotibiais
  • Adutores do Ombro
    • Latíssimo do Dorso
    • Peitoral Maior
  • Extensor do Cotovelo
    • Tríceps Braquial
Execução
  1. Deitado em decúbito ventral com a testa no MAT e os braços nas laterais do corpo, com a palma das mãos pressionando contra as laterais das coxas e os cotovelos estendidos.
  2. As pernas devem estar juntas, com os pés ligeiramente em ponta (flexão plantar).
  3. Levante a cabeça e as partes superior e média do tronco para fora do MAT, mantendo as pernas unidas e os braços pressionando contra as laterais do corpo.
  4. Baixe lentamente o tronco e a cabeça, voltando a posição inicial.

4) Spine Twist

Músculos Primários
  • Rotadores da Coluna Vertebral
    • Oblíquo Externo do Abdome
    • Oblíquo Interno do Abdome
    • Eretores da Espinha
    • Semiespinal
    • Grupo Posterior Profundo da Coluna Vertebral (especialmente multífido)
Músculos Secundários
  • Estabilizador Anterior da Coluna
    • Transverso do Abdome
  • Dorsiflexores do Tornozelo-Pé
    • Tibial Anterior
    • Extensor Longo dos Dedos
  • Abdutores do Ombro
    • Parte Acromial do Deltóide
    • Supraespinal
  • Extensor do Cotovelo
    • Tríceps Braquial
  • Adutores da Escápula
    • Trapézio
    • Rombóides
Execução
  1. Sente-se com as pernas unidas e estendidas para frente, pés flexionados (dorsiflexão).
  2. Os braços estendidos e abduzidos na altura dos ombros, ligeiramente para trás, com a palma das mãos virada para baixo.
  3. Gire o tronco para um lado e depois um pouco mais longe na mesma direção.
  4. Gire o tronco de volta ao centro.
  5. Gire a parte superior do tronco para o lado oposto e então um pouco mais adiante nessa mesma direção.
  6. Gire o tronco de volta ao centro (posição inicial).

Concluindo…





O programas de exrcícios deve ser desenvolvido de acordo com a necessidade do seu aluno, priorizando as suas individualidades, pois nem sempre um exercício que é para um será para bom para o outro.
Importante atentar-se ao diagnóstico clínico no momento do desenvolvimento do seu plano de tratamento.
Importante lembrar que a aplicação do método Pilates deve ser feita por um profissional habilitado, proporcionando assim uma prática segura.
Indicação: Comprei um livro muito legal que vem com as imagens dos músculos que estão sendo trabalhados durante a realização de cada exercício, ele é um guia ilustrado de Pilates no solo. Vou deixar o nome se alguém se interessar: Anatomia do Pilates, do Rael Isacowitz e Karen Clippinger, Editora: Manole, 2013.